VERY-LIGHT
ENCARNADO
Asas da Aviação Civil

O nosso very-light encarnado vai para o Sr. Dr. José António Figueiredo Almaça, doutor em ciências económicas e empresariais, pelo seu artigo de opinião publicado no "Diário de Notícias" de 23 de Junho de 1999.

O referido artigo diz o seguinte:

Ano após ano, a história repete-se. Os pilotos da TAP, orientados pelo seu sindicato, encarregam-se de dificultar o tráfego aéreo com medidas de força. A pretexto de um conjunto de reivindicações que ocultam o seu desejo de condicionar a gestão da empresa aos seus interesses particulares.
É difícil encontrar uma profissão onde os empregados como os pilotos -- por muito qualificados que sejam -- tenham tanto poder sobre o funcionamento operacional de uma empresa e tenham tanta influência nos restantes trabalhadores.
Apresso-me e adianto-vos que faço parte daquele grupo de pessoas que viajam bastante, e que já suportaram por várias vezes as gracinhas deste simpático colectivo.
Não tenho todos os dados nem a informação necessária para julgar até que ponto os diferentes actores desta autêntica novela, que se anuncia normalmente em três épocas do ano, no Natal, na Páscoa e no Verão (quando o tráfego aumenta), têm maior ou menor culpa dos atrasos, mas pelo que tenho vindo a ler estes dias, esperam-nos mais uma vez horas de "seca" nos aeroportos, e então poderei deixar, se isso suceder, de dirigir a minha ira aos pilotos da TAP.
Uns profissionais que na maioria dos casos fizeram a sua carreira na Força Aérea, financiados naturalmente pelos impostos que todos pagamos, e que ingressaram nas linhas aéreas comerciais sem devolver o que neles se havia investido.
Uns trabalhadores que através da acção de um sindicato se auto-consideraram um classe privilegiada que desprezam tanto os seus companheiros de trabalho -- o pessoal de terra - bem como os seus concidadãos, os que com os impostos pagámos e continuamos a pagar as posições de que agora abusam.
Mas será a TAP uma empresa sem solução? Eu acredito que tem. Mas que fazer então? Bastariam, para começar, duas medidas muito simples.
Em primeiro lugar, retomar de imediato o processo de privatização -- o qual está a aguardar a resolução do crónico conflito com os pilotos para se voltar a negociar com a Swissair -- , pois impõe-se devolver à sociedade o que é da sociedade.
Na realidade, chamar-lhe empresa e acrescentar-lhe o termo pública é a mesma coisa que misturar água com azeite. É preciso que exista um capital que exiga responsabilidades a quem dirige, e que estes estejam pendentes da conta de resultados.
Em segundo lugar, é preciso que o Governo governe, flexibilizando a lei laboral de forma a que as actuais condições para se ser piloto sejam revistas. Pois, sob o ponto de vista operacional, não existe profissão mais internacionalizda e fácil de homologar.
Todos os pilotos do mundo voam para os mesmos aeroportos, fazem as mesmas rotas, utilizam os mesmos modelos de aviões e comunicam na mesma língua, o inglês. O que permitirá, quando existir algum confito que ponha em causa a estabilidade da empresa e o interesse nacional, como é o caso, que então só seja preciso que o Conselho de Administração administre, seguindo o exemplo do que fez a British Airways, em meados da década de 80, substituindo todos os seus pilotos.
É pois altura de acabar com esta novela de férias pois experimentem adicionar todas as subvenções públicas que a TAP recebeu nos últimos anos, e seguramente verificarão que cada um dos portugueses já pagou um bilhete de avião para dar a volta ao mundo.

Dr. José A. F. Almaça


A nossa resposta, à letra, é a seguinte:

Ano após ano, a história repete-se. Os senhores que têm acesso fácil aos vários tipos de Imprensa, orientados por interesses fáceis de identificar -- mas difíceis de entender -- encarregam-se de atirar pedras aos pilotos da TAP, lançando, simultaneamente, areia para os olhos de quem os lê ou escuta. A pretexto de um conjunto de "razões economicistas", "de eficácia" e sábe-se lá o que mais, ocultam o que mais parece ser uma frustração ou um desejo de serem eles a ditar o que se fazer.
É difícil encontrar uma profissão como a dos que trabalham nos media -- parecendo que basta para tal ter um título pomposo -- tenham tanto poder sobre a opinião pública, manipulando-a conforme os seus desejos e incómodos.
Apresso-me e adianto-vos que faço parte daquele grupo de pessoas que lêm bastante e que já está farto de suportar as pedradas e as falsidades que aqueles senhores, de vez em quando, se lembrar de atirar para o papel.
Não tenho todos os dados nem a informação necessária para julgar até que ponto os diferentes autores dos artigos escritos nos mais variados meios de informação, ganham com estes ataques infundados. Pelo que tenho vindo a ler dirijo a minha ira a todos os autores de tais artigos.
Uns profissionais que na maioria dos casos fizeram a sua carreira em estabelecimentos de ensino do Estado -- financiados naturalmente pelos impostos que todos pagamos -- e que ingressaram nos quadros de jornais, revistas e televisões sem devolver o que neles se havia investido.
Uns trabalhadores que através daquilo que se lembram de escrever se auto-consideraram um classe dona da verdade e do caminho correcto a seguir pelos outros e que desprezam tanto os seus concidadãos trabalhadores -- que também pagam impostos.
Mas será esta uma situação sem solução? Eu acredito que não. Mas que fazer então? Bastariam, para começar, duas medidas muito simples:
Em primeiro lugar, exigir a quem de direito a responsabilidade de dar à sociedade uma melhor comunicação social que seja correcta, imparcial e justa.
Na realidade, chamar-lhe comunicação social e depois deixar os autores publicar opiniões erradas, infundadas e baseadas em falsidades (mesmo que involuntárias) é o mesmo que lhe retirar a sua função primária: difundir notícias (correctas e verdadeiras). É preciso que exista um público que exija verdade a quem escreve e que estes sejam responsabilizados por aquilo que escrevem.
Em segundo lugar, é preciso que o Governo governe, flexibilizando a legislação de forma a que as actuais condições para se escrever num periódico sejam revistas.
Todos os autores do mundo escrevem para as mesmas pessoas, trabalham para as mesmas entidades patronais, utilizam os mesmos computadores para processar o texto e comunicam do mesmo modo. O que permitirá, quando existir algum autor que utilize a Imprensa para "descarregar" o que de mais negro lhe vai na mente, se baseie em falsidades ou que ponha em causa a verticalidade do media onde edita os seus textos, a "chamada à pedra" desse mesmo autor.
É pois altura de acabar com esta série de "opiniões avalizadas" de autoria de economistas, gestores e eu-sei-lá-mais-o-quê para se começar a exigir uma informação correcta, não-sensacionalista, imparcial e bem fundamentada. Esses autores que experimentem -- uma só vez que seja -- documentarem-se devidamente antes de iniciar um texto em vez de se deixarem levar por aquilo que parece ser birrinhas e raivinhas pessoais.

J. Munkelt Gonçalves
Piloto de Linha Aérea

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